sexta-feira, 13 de maio de 2011

Amores Brutos

Três histórias encontram-se numa colisão de automóvel num cruzamento da capital mexicana, num choque de acasos e destinos, e aqui desembarcam todas as conjecturas acerca desses mesmos acasos e destinos: é a realidade quem sempre pergunta, responde e exemplifica. Três personagens que apenas têm em comum os amores atribulados e a paixão pelos cães (que não passa de mero pano de fundo para enaltecer através dele os problemas sentimentais), envoltos num complexo argumento preocupado em ser o mais chocante possível na aspiração de nos mostrar, sem estereótipos, os campos sociais distintos balanceados entre as luzes da fama e da notoriedade e o submundo urbano. E mesmo diferentes no estatuto que lhes está rotulado, as personagens vivem, sofrem e choram os seus problemas de igual forma, como meros escravos das suas fatalidades.

Esta é a primeira parte de uma trilogia (que inclui “21 Gramas” e “Babel”) e que marca não só a estreia de Alejandro Iñàrritu nas longas-metragens como também o inicio da próspera colaboração entre Iñàrritu e Guilhermo Arriaga (e que iria terminar ainda durante a gravação de “Babel”), o responsável pelo brilhante roteiro que deu vida ao filme. Aqui começa também a constante referência de vários públicos ao estilo utilizado pelo director mexicano nos seus filmes, estilo esse característico de Quentin Tarantino: a narrativa fragmentada, não linear, e a utilização da violência como timbre das cenas fortes são marcas muito próprias do cinema de Tarantino, mas também não deixa de ser claro que estamos perante dois estilos bastante distintos na sua essência e nitidamente provenientes de escolas diferentes.

A violência presente não se remete a entreter ou a fascinar, os diálogos e as situações chocantes não são fragmentos perdidos ou supérfluos, são a resposta à pretensão do realizador em querer fazer um retrato social de uma capital violenta e multifacetada e apresentar nela personagens de elevada profundidade dramática e envoltas numa tensão quase sufocante. O elenco é soberbo, com especial destaque para Gael Garcia Bernal que adquire aqui o merecido reconhecimento internacional, a fotografia inquieta e a “câmara na mão” ajudam a criar um clima de gravidade que, juntamente com a montagem “um só objectivo”, não nos deixa ficar alheios ao sofrimento tão palpável e presente.

Drama realista, gritante, honesto e deveras perspicaz. Um ensaio de Humanidade que encontramos todos os dias na rua disfarçado de Casualidade.

 Vencedor de 11 prémios Ariel, Prémio da Crítica em Cannes e nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

de http://cineclubeybitukatu.blogspot.com/2010/04/critica-amores-brutos-alejandro-g.html


Titulo original Amores Perros
Gênero Ação,Drama
Ano 2001
Distribuidora Europa
Duração 153 min.
Cor Colorido
Som Dolby Digita














       

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

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"Diga-me do que te gabas e dir-te ei do que careces"
                                                      Freud

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Casamento de Rachel






O CASAMENTO DE RACHEL, mais recente trabalho do diretor Jonathan Demme (O SILÊNCIO DOS INOCENTES, FILADÉLFIA), é um dos destaques dos Festivais de Veneza e Toronto.
É uma interessante comédia dramática familiar, filmada com estilo e garra de documentarista. Retrata o tal casamento de Rachel (Rosemarie Dewitt), mas não tem a noiva como protagonista, mas a problemática irmã, Kym (Anne Hathaway, dO DIABO VESTE PRADA), que chega à cerimônia saída, em condicional, de uma clínica de reabilitação para alcoólatras. A família e amigos estão reunidos para celebrar um final de semana repleto de música e amor, mas Kym chega para desencadear uma série de problemas como um elemento desagregador, que traz muitos ressentimentos.
Com personagens ricos e ecléticos, uma característica das obras de Demme, O CASAMENTO DE RACHEL trás o retrato de uma família sensível, perceptiva e às vezes hilária com a ajuda de um elenco que tem estrelas como Anna Hathaway (O DIABO VESTE PRADA), Rosemarie DeWitt (A LUTA PELA ESPERANÇA), Bill Irwin (ACROSS THE UNIVERSE) e Debra Winger (TERRA DAS SOMBRAS).
Apesar do papel principal de Anne, o filme exibe uma vocação coral, com o foco espalhado por vários personagens, registrados por uma câmera ágil que lembra a de um documentário. “De fato, busquei esse tipo de linguagem e a experiência como documentarista me ajudou agora na ficção”, disse Demme, vencedor do Oscar com O SILÊNCIO DOS INOCENTES e autor de um filme recente sobre o ex-presidente Jimmy Carter. De acordo com Demme, os dois gêneros devem se fertilizar mutuamente: “Quando se faz a ficção, queremos que pareça real como num documentário; quando fazemos documentários, queremos que emocione, como na ficção.”
Anne disse que gostou do desafio, em sua primeira personagem dark: “Kym tem um caráter obscuro, sombrio, talvez. Mas é muito honesta. Vive todas as suas dificuldades com orgulho e dor. Mergulhei nela. Jamais havia interpretado algo do gênero. Amei estar no centro dessa confusão. Foi difícil e complexo.”
O CASAMENTO DE RACHEL possui forte componente multicultural. O noivo é interpretado pelo ator negro Tunde Adebimpe e a confraternização entre as famílias confere uma conotação inter-racial ao evento.

Por Carlos Helí de Almeida (Jornal do Brasil), Luiz Zanin Oricchio (Estado) e Acessoria da Sony Pictures

• Direção: Jonathan Demme
• Roteiro: Jenny Lumet
• Gênero: Drama
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 113 minutos
• Tipo: Longa-metragem

sábado, 15 de maio de 2010

LAGOA ZOO


(BÊBADA)
Tô aqui, com uma dó de mim, porque não sei falar língua de gente. Este tipo de linguajar que exige de mim mentiras, desvelos, e superficialidades infinitamente mais cínicas do que ousaria ser uma ironia pura.
A solitude, opcional ou imposta, dos loucos e dos genuínos.
A genuinidade imposta aos animais opcionais.
A loucura animalesca, opcional aos solitários...
Dá uma dó, que eu não consiga me desnannificar e ir alimentar o ego dos coleguinhas.
Cára-de-pau e falácia! É o que querem de mim.
E no fundo, não importa quem sou, contanto que não os incomode e sirva pra qualquer coisinha.
E eu, acreditando no espetáculo do encontro subjetivo.  No poder de falar de verdade.
Não vivem sem uma novelinha?

Nanna Carolina 

sábado, 12 de dezembro de 2009

Fernando Pessoa - Poesias



Gosto de intercalar, entre um livro e outro que leio, um pouquinho deste maldito. Fernando Pessoa e seus Heterónimos sempre me (re)lembram algumas dores gostosas de sentir, alguns lugares profundos da alma que andam esquecidos. Este livro é um compilado com suas poesias mais famosas, incluindo "Tabacaria",  "Poema em linha reta" e "Aniversário". Muito bom ter à mão.