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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aniversário


Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)






No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Flor e a Náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas,
consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.




Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 31 de outubro de 2011



" Tudo que percebemos é energia, mas como não podemos perceber energia diretamente, processamos nossa percepção para que ela se adapte a um molde. Esse molde é a parte social da percepção, que você precisa separar."

Carlos Castañeda

domingo, 23 de outubro de 2011


 “Em terra de cego, o rei tem um banco de olhos.”
Fred Maia

sábado, 22 de outubro de 2011

“Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste, sou poeta...”
Cecília Meireles

terça-feira, 18 de outubro de 2011



“Se eu vendesse à sociedade minhas manhãs e minhas tardes, como a maioria parece fazer, estou certo de que não me restaria nada por que valesse a pena viver.”
Henry David Thoreau

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



“E, no final, não são os anos de sua vida que contam. Mas a vida de seus anos.”
Lincoln

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Somos jovens loucos
Num mundo onde os normais
Constroem bombas atômicas."
Kelly Renata

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"O padre bebe vinho todo domingo
Na bíblia, o livro do apocalípse só fala do fim do mundo,
Jesus Cristo usava cabelos compridos,
E vocês insistem que rock é coisa do capeta???"
Karen Shadow

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"O crime é a extensão lógica de um tipo de comportamento perfeitamente respeitável no mundo dos negócios."
Robert Rice

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"A decepção é como a sujeira que se acumula nas unhas: para evitá-la é necessário tocar em nada."
Claudina F. R. Badilla

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Afinal, o que é o roubo de um banco, diante da fundação de um banco?"
Lenin

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Viver de noite me fez senhor do fogo. A vocês eu deixo o sono. O sonho não. Esse eu mesmo carrego."
 Paulo Leminski

 
"O mundo não terminará com um estrondo, mas, sim,em um murmúrio."
(Autor desconhecido)

domingo, 2 de outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

"O problema de ter sempre os dois pés firmemente plantados no chão é que você nunca consegue tirar as calças."
J.D. Smith

...

"Navalhas Machucam;
Rios são úmidos;
Ácidos mancham;
E drogas causam câimbras.
Armas são ilegais;
Laços afrouxam;
Gás cheira mal;
É melhor viver."

     Dorothy Parker

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

...

"O passado é mentira.Metade é feita de coisas não passadas. A outra metade é feita de coisas que nunca mais passarão."
        Mia Couto

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

...

"Se a vida continuasse nesse embalo, chegaríamos à velhice com apenas um pertence: nada. Passaríamos a acumular aquilo que só sabíamos gastar: nós dois."
                                João Gilberto Noll

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

...



“(...) beijei-a por todo corpo, até ficar sem respiração: a espinha dorsal vértebra por vértebra, até as nádegas lânguidas, o lado da pinta, o de seu coração inesgotável. A medida que a beijava, aumentava o calor de seu corpo e ela exalava uma fragrância de montanha. Ela respondeu com vibrações novas em cada polegada de sua pele, e em cada uma, encontrei um calor diferente, um sabor próprio, um gemido novo, e ela inteira ressoou por dentro com um arpejo, e seus mamilos se abriram em flor sem ser  tocados(...)”
                                                             G. G. Márquez  -Memórias de minhas putas tristes