segunda-feira, 14 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Piadas de Brazileiros - O Caso Ana Lídia
O brasileiro costuma ser bom piadista,
pois já leva tudo na sacanagem. Inserido em sua miséria, inventa formas de rir
de seu colonizador português e aproveita pra tirar um sarro dos argentinos,
coreanos, cubanos...
A piada pode ter muita graça, quando é
pautada na imaginação. Mas será essa mania de piada, uma transferência da
própria realidade do brasileiro? Se olharmos um pouquinho para qualquer lado
que nos cerca, veremos a grande anedota da qual somos protagonistas. Para
debaixo do tapete, jogamos uma verdadeira ilha das flores e, no entanto,
achamos graça dos japoneses.
Pode ter papagaios, loiras e bêbados,
mas uma coisa que falta à piada de brasileiros é graça. Para exemplificar, uso
um caso da minha cidade, que faz questão de ser aquele que nos foge à memória
facilmente:
O CASO ANA LÍDIA

Em 11 de setembro de
1973, ocorre em Brasília, cidade ainda considerada pacata, um crime que até
hoje deixa muita dúvida e assombro. A menina Ana Lídia, de sete anos foi
sequestrada na escola em que estudava e em seguida foi estuprada, torturada e
morta por asfixia. Segundo o laudo policial, sua morte ocorreu um dia após seu
sequestro.
Seu corpo foi encontrado por policiais
em um terreno da UnB. Estava nua, de bruços, com a face comprimida contra a
terra, tinha os cabelos cortados de forma irregular, rente ao couro cabeludo,
seus cílios foram arrancados, sua vagina e ânus dilacerados, e tinha
escoriações e manchas por todo o corpo, incluindo queimaduras de cigarro. Ao
lado do corpo havia marcas de pneu e camisinhas.
Entre os suspeitos do crime estão seu
irmão, Álvaro Henrique Braga, que devia dinheiro a traficantes, o futuro
presidente da República, Fernando Collor de Mello, Alfredo Buzaid Júnior, filho
do então Ministro da Justiça, Eduardo Ribeiro Rezende, filho de senador e
Raimundo Lacerda Duque, conhecido traficante de Brasília.
A investigação foi completamente abafada
pela ditadura. A polícia não colheu as marcas de pneu que estavam ao lado do
corpo, o esperma encontrado nas camisinhas e no corpo da menina ficaram 15 dias
no IML e não foram comparados aos dos suspeitos, o Ministério da Justiça
proibiu a Polícia Federal de investigar a relação do crime com o tráfico de
drogas, entre outras negligências. O pior de tudo é que a família da menina
parecia passiva em relação ao assunto.
Em 11 de setembro de 1993, o crime
prescreveu sem se apontar nenhum culpado. Se o assassino se entregar hoje, não
poderá ser preso.
PARA ANA LÍDIA
Para amenizar o repúdio
que o crime trouxe, foi dado a um parque infantil, situado no Parque da cidade,
o nome de Ana Lídia. Homenagem que me parece um tanto irônica, o clímax da
piada. Além disso, seu túmulo é um dos mais visitados do cemitério da cidade,
onde pessoas fervorosas fazem orações e atribuem a ela a realização de
milagres.
PARA OS SUSPEITOS
Além da impunidade (palavrinha comum nas
piadas de brasileiros) para todos os envolvidos, em 1990, o suspeito de
participação no crime Fernando Collor de Mello é eleito Presidente da
República, depois de ter sido prefeito, deputado e governador em outras cidades
e, por fim, em 2007, torna-se senador. Quem sabe seu túmulo também venha a ser
muito visitado. Talvez, bem mais do que o de Ana Lídia.
Nanna Carolina
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Fim do Mundo
Quem não tem sua própria versão sobre nosso apocalipse? Com punições divinas, desastres naturais, caos e tudo de ruim que a mente humana pode imaginar, este mítico dia é até esperado por alguns. Com um fundinho de vingança, alguns religiosos já condenaram à danação eterna toda a população humana que não se "preparar" para o fatídico dia.
Percorre em alguns o sentimento de culpa paralítica de quem se sabe cúmplice dos cavaleiros do juízo final e se intimidam em tentar reverter tamanho espetáculo. Encarando os fatos, todos sabemos que nossa estadia em Gaia não pode ser eterna, pelo simples motivo de as coisas assim o serem. No entanto, o que me preocupa não é esse estrondoso final, mas a qualidade de vida típica dos doentes terminais a que nos submetemos e naturalizamos. O fim do mundo, desta forma, não é mais do que uma misericordiosa eutanásia de uma espécie que já não tem sentido.
Uma espécie que desaprendeu a cumprir as simples leis deste planetinha azul. Aceitamos "evoluções" que simplesmente não se adaptam sequer às nossas necessidades. Daí o coleguinha Darwin nos fala que, em toda a natureza, são as espécies que melhor se adaptam às leis e ciclos da Terra que sobrevivem. Nós perdemos todo o ritmo daqui, não importa mais se é dia ou noite, se é verão ou inverno, esquecemos o básico sobre a cadeia alimentar em que estamos inseridos, a sobrevivência se tornou uma coisa individual e o grupo que se f..., Humanos odeiam humanos, dividem gênero, raça, castas...
Qualquer coisa pode desestruturar tudo que entulhamos da dita evolução até aqui. Desastres naturais, choques ideológicos, desesperos em massa, falta de energia elétrica, combustível ou outro vício humano, a descida de um E.T. ou a volta de Jesus. Não estamos, preparados, de fato, para nada.
Desta forma, o tal do nosso fim me parece uma derrota espiritual da nossa especie, uma inadaptação ao mais simples aliada à uma corrida cega à suposta evolução do Homem. Enfim, não é à toa que todos anteveem o fim.
Nanna Carolina
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)




