quarta-feira, 22 de agosto de 2007

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       As vezes a gente se apaixona por pessoas de mundos diferentes do nosso. Para estar com elas, tentamos nos igualar. Aí mora o perigo: perdemos o itinerário, desconhecemos nosso paradeiro.
       A luta para o retorno é realmente dolorida. O que pensa A Criadora com esse tipo de mecanismo?
       Nós, que no senso comum chamamos isso de amor, acabamos por nos desesperar, blasfemar, suicidar aos poucos, ou aos muitos...
       Há remédio ou vacina?
       Realmente na minha (esta) época ainda se sabe fazer matemática. Usar a razão ta cada vez mais fácil.
         Porém, como não me perder, se há erros mascarados de Verdade, auto-pecado fantasiado com prazeres, tanta nojeira aprendida em casa...

Nanna Carolina 

terça-feira, 21 de agosto de 2007

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Olhando daqui, nós humanos. Tantas objeções, opiniões, reivindicações. Sofreremos em Nietzsche. Nunca saberemos o nosso valor. Algumas pequenas diferenças soam como temperos. O quê mais podemos aprender a não ser?

Nanna Carolina 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Lei Nº 5672/71

       Formara-se atriz, e era também professora. Tinha um coração enorme e os cabelos pintados de vermelho.
       Ligou para as amigas:
-Vou com vocês.
-Vai?!
       Foi.
       Um luxo que, às vezes, seu curto salário de fundação educacional e sua filha pequena permitiam: viajar com as amigas.
        Carla era sempre muito querida em qualquer programa. Era muito animada, podia ser menina e mulher como por mágica. 
 Chegaram à uma São Paulo chuvosa, deixando pra trás uma Brasília chuvosa. Foram direto para o Bexiga, eram boas de copo.
        Lá pelas tantas, já alta, Carla foi embora. Queria voltar para o hotel e respeitar seu descanso. Foi caminhando pois gostava disso, aceitava seus pensamentos.
       Foi interrompida por um choro embolado. Estava ali, sentada num canto, uma mulher negra, muito magra. Os cabelos, que haviam sido domados por muitas camadas de gel, escapavam, rebeldes, dessas presilhas que a gente vê aos montes nos camelôs.
       Ela chorava bêbada, humilhada. Respondeu, aquela criaturazinha, que acabara de ser expulsa de um daqueles bares finos dali.
        Ela não tinha dinheiro? Sofrera preconceito? Dera algum vexame? Carla não perguntou. Usou sua elegância, vestiu-se em seu blazer, e foi ao tal bar.
       Chamou o gerente, pois sabia que os funcionários pouco ajudariam.
-Pois não, senhora?
-Boa noite! Estava eu em um coquetel com o Ministro Antonio Carlos Jobim, quando minha cliente me ligou alegando que fora expulsa deste recinto sem justa causa!
       O gerente arregalou os olhos. Não imaginaria que aquela senhora bêbada que os seguranças, gentilmente, arrancaram da mesa de um grã-fino, teria condições de pagar por um advogado.
       Para tornar a situação mais verossímil, Carla sacou sua carteirinha do sindicato dos professores e passou rapidamente pelos olhos atônitos do gerente, para mostrar sua suposta identificação e completou:
-Segundo a lei Nº 5672/71 (alguma lei relacionada a educação, que ela lembrava na hora), a minha cliente sofreu preconceito e a penalidade é...
-Não doutora, tenha calma! Aceita um drinque!
-Estou trabalhando! Respondeu, ofendida.
       A senhora humilhada foi recebida pelo gerente, que lhe implorou o perdão, que ela pode dar com uma arrogância nova, gostosa.
       Depois foram tomar uma saideira, para comemorar.  

Nanna Carolina 

sábado, 25 de junho de 2005

Florescer

       É uma menina triste, não coube em suas mãos uma dúzia de flores, então ela caiu entre os humanos. Ela chora, quem sabe suas lágrimas a limpem. Ela brinca, mas já não consegue ser criança...
       Deram-lhe a pedra para pôr no caminho, respiraram seu cabelo de laranja, olharam-na nos fortes olhos perdidos, e ela apenas subiu no seu calendário para espiar através do muro. Mas ainda chora. Olhou de novo para ontem, sorriu de novo entre os porcos, deixou de novo a cabeça pesar sobre o corpo...
Lá vai ela correndo, finge não ver o caminho, sucumbe e cala seus sentimentos. Perde a força, carrega pesos, fica exausta, grita (!) Sua voz é forte e há muito estava encarcerada.
       Ela tirou os sapatos e sentiu a terra e vontade de voar e chamar a chuva. Por alguns instantes, vê-se ela com o corpo deixado num canto., permitindo-se sonhar. O que sonharia, a menina triste? Castelos perfeitos e príncipes encantados? Ou sonharia diferente das meninas felizes?
       Com a voz trêmula, ela canta uma canção e mergulha no próprio ser. Depois de expandir-se ela volta, mas traz consigo uma lança, olha pra todos que esperam (sempre) uma reação. Ela crava a lança no peito
       Espera menina, não faça isso, agora nós te entendemos!!!
       Mas uma serenidade invade seu rosto, e ela dorme, agora com o mesmo sorriso das meninas felizes.

Nanna Carolina 

sexta-feira, 13 de agosto de 2004

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Vergonha.
Tenho suspiros. Chegam cansados.
Medo de rir, meus dentes estão sujos.
Medo de cantar, desafino aos ouvidos em paz.
Medo de seguir, nunca estou certa do caminho.
Um espaço no mundo só pra sentir DESESPERADAMENTE!!! Drogas, entorpecimento.
O furacão se foi e a calmaria me mata, fui mostrando meus braços, aflitos por se algemarem.
A cegueira me invade, e como ardem-me os olhos, que agora refletem o inferno.
Lágrimas de novo, mas com a força de um oceano no cio. Ou como uma bomba.
Bomba? Não sei se meus retalhos de lágrimas podem explodir. Aprenderam somente a retrair-se.

Nanna Carolina 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Era de Aquário- Verão- Constelação de Aquário- Séc. XXI - 23h45min


       Acho que ouço de forma diferente o mesmo que todos estão ouvindo. Invento uma masturbação de ego, invento poses novas para essas mesmas fotos, escarro meus medos para minha voz parecer melhor...
       Alguns transeuntes pensamentos estão sendo barrados pela linha de força. Existe, por fora, uma manifestação qualquer contra o crescimento do meu pé-de-feijão.
       Nem sei que postura tomar na frente de crianças viajando como eu, procurando um néctar alucinógeno para dançar qualquer música. Às vezes, a gente quer que nossos ídolos sejam sempre felizes, mas se fossemos nós os ídolos, sentiríamos o peso dessa cobrança. De certa forma isso pode matar.
       Algumas pessoas precisam de mais dicas para acertar a resposta, e elas odeiam o sacrifício de aceitar ajuda. Eu também... 

Nanna Carolina 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

Segunda Freira

       Me sinto cobaia de um deus puto que, além de tudo, eu tenho que puxar o saco, senão ele castiga. Estou com vontade de tomar umas atitudes, mas acho que vou acabar ficando sentada por aqui, olhando esses retratos e tendo recordações. Estou me aprontando para minha crucificação, já me vesti de dor e vou cumprir todo esse ritual sádico que todos gostam tanto de ver. Do lado de cá dos meus olhos de chuva ácida passam algumas poesias, mas acho que essas coisas não combinam com esse mundo. Vejo um monte de pré-defuntos vagando, não são nada além de um pacote pronto, mas, mesmo assim, julgam ter cumprido os “doze trabalhos”. E o mundo fervilhando de pendências.
       Existem coisas que me parecem óbvias e incrivelmente abandonadas. Às vezes sinto saudades de quando eu aprendia a crescer e achava que realmente havia algo depois de virar a esquina. Estou viciada em mundos fictícios de várias formas. Às vezes até me fazer de vítima me faz bem, mas, neste caso, o que impera é sentimento de outro metiê.
       Algumas músicas que ouço me dão uma grande vontade estranha por dentro. Nessas horas percebo as prisões que estou e quais eu gosto. Vejo a força desperdiçada.
       Se o dia que vier não se vingar de mim, vou rir outra vez desse meu medo. Agora sinto uma entrega da minha parte que forma um imenso não ter o que dizer.

Nanna Carolina 

sábado, 24 de janeiro de 2004

sábado reticências...etc blá blá blá


       Meu coração vazio está cheio de mágoas. Uma luz amarela deste boteco de fundo de quintal está doendo minha vista. A gente encontra muitos sabores e, às vezes, preferimos enfrentar e amar o amargo. Então, é o prazer de experimentar que dá sentido ao meu existir.
       Sinceridade. Quero dar esse passo para comigo. Ser entregue é muito difícil para quem não acredita na eternidade. Eu creio, e me entrego ao prazer como se fosse um colo. Nem estou pousada na Terra agora, mas entro em combate comigo e acabo por aceitar tudo de novo... há coisas que queria saber falar mas não consigo me traduzir. Meu pensamento não é dado a imagens, prefere sensações. Explode por dentro.  É complicado não querer dominar o mundo como os outros da minha época.

Nanna Carolina 

terça-feira, 20 de janeiro de 2004

Domingo pede Cachimbo

       Por ora, a bagunça de fora mal atinge a de dentro. O vinho quente da promoção ainda não trouxe risadas. Bato à porta do meu quarto, peço a mim uma permissão para entrar. Não vejo a hora de estar ébria e envolvida, mas tenho medo da carne mais quente que respira meus ares neste quarto vagabundo. Depois eu vejo os sorrisos cínicos de quem só vê minha máscara mal feita. Tive sonhos turbulentos essa noite e acordei querendo revivê-los. Cansei de me debater na frente de nivelados. Sinto-me um tanto interrogação, agora aflita por alucinar-me e não perguntar mais nada.

Nanna Carolina 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2004

       Estou cheia de vontades que parecem explodir no meu ventre. Todo dia tomo uma dose cheia de verdades para a noite cair e eu me embriagar de mentiras. Estou de novo atravessando uma ponte podre de vícios, por um triz...

Nanna Carolina 

terça-feira, 13 de janeiro de 2004

Corpos débeis, lucros através da fome, medo de evoluir... felicidade!!! Posso contar as pedras do meu caminho. Queria que estes tais de bem e mal fossem mais bem delimitados. Todos são muito venenosos e generosos, me dá um pouco de sono isso tudo. Às vezes nos pegamos tão idênticos a toda essa tontura, por mais livres que brinquemos de ser. Não sei se vejo a miragem ou ela me observa a querer continuar minhas coisas (Quem sabe esse seja meu sonho). Tenho tantas personagens para experimentar, quem sabe eu nem seja tão preciosa no andar da existência, mas quero ser, pelo menos, minha própria droga transcendental, minhas eternas reticências...

Nanna Carolina 

domingo, 11 de janeiro de 2004


        Estou completamente mal humorada! Não tento me entender e entro em desacordo. Estou a procurar ferrões para por nas mãos para ferir aos outros e a mim. Sinto uma íntima falta minha. Às vezes percebo minha cara toda quebrada e faço força para continuar coisas como levantar a caneta. O calor da minha cidade me faz pressentir prisão, parece que nada se encaixa. Meus pensamentos agem como piratas, estou ficando louca outra vez.
       Seguro um pedaço de morte em cada mão, a vida dorme entediada ao meu lado. Tantas habilidades, eu podia nem ser tão entregue. Noto minha pele envelhecendo minhas tatuagens. Desenhos acompanhando meus desenhos... Vejo a ignorância sendo o forte das pessoas e reflito sobre os fortes. Todo mundo é tão igual por aqui. Às vezes gosto de estar falando alto quando todos me pedem silêncio. Sei de gênios morrendo no escuro e me dá medo... Preciso escutar outras palavras, os de muito conteúdo extrapolam.
       Gosto de ver meu sangue ruborizando meu corpo de menina. Converso só com o vento e ele sopra angústia.Eu fui pluma no vento, mas me perguntei demais o porquê, já não posso ser levada. Tornados incríveis se fazem presentes e nem eles me arrastam daqui. Estou só demais quando percebo que minhas pernas é que sustentam o peso do meu corpo.
       Estou cheia de dores e até gosto de algumas, mas ao todo não completam nem o vazio que eu invento. Parece que a vida é um tipo de éter vagabundo que eu não quero mais usar, mas essa corja de viciados quer me convencer. Meus dedos, minha vista, meu caráter... tudo dói. Volto a ser eremita na multidão e meu vestido preto é a sempre máscara que desenhei. Gostaria que anjos, demônios e Dionísios realmente existissem, quem sabe essa luta ficaria mais interessante. Queria saber de onde vêm os nomes, porque a pele que goza é a mesma que sangra  e pra quê o passado fervilha na minha frente? Já me servia conseguir calar tantas perguntas.

Nanna Carolina 
        

sexta-feira, 2 de janeiro de 2004






Meu gato preto olha pela janela. Saberá ele o inferno em que está inserido? Sua beleza está intocada, apesar das experiências. Estar aquém a tudo é melhor do que a beleza.

Nanna Carolina