segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
sábado, 13 de agosto de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
E o caos reaparece! Creio que se imagina meu amante por vir com tanta fidelidade. Onde será que encaixo esse corpo débil, mesmo que agora sóbrio?
Tudo acontece no espaço “entre vírgulas”, não vejo mais meu caminho sob meus pés, estou desorientada sobre meu norte.
Parece que quero vomitar, ou talvez desmaiar, mas sei que haverá melhoras no decorrer do dia. Preciso sarar e conseguir forças para ingerir meus venenos.
É uma pena que este mundo não dê espaço para lamúrias. Algumas pessoas odeiam me ver escrevendo essas bobagens. Que mundo grosseiro! Vontade de correr e cair no esquecimento. Olhar para esse abismo cinzento com a tristeza como dama de companhia. Andar com ela traz um ar sombrio e respeitoso, mas corrói em desespero.
Não quero ser específica, mas essa preguiça mortificante está a sufocar meus pobres ares. Meu jardim morreu, mas eu ainda estou viva...
A felicidade agora é uma lenda, o que vale é o alívio.
Nanna Carolina
Nanna Carolina
domingo, 3 de julho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Não consigo me olhar no espelho! Não o que reflete a imagem, mas o que reflete minhas vísceras. Por isso, evito escrever a tanto tempo. Palavras de mim andam doendo até em meus dedos, e a voz da caneta soa rouca, como quem prefere calar.
Minha velha amiga, a complexidade, se tornou um problema pra mim. Tento perdoá-la. Quem sabe ela só faça tantos labirintos para que eu consiga, enfim, achar graça na simplicidade. Na minha cabeça gritam referências de antepassados que eu preferia silenciar. Mas o que sou ou serei eu, senão referências de antepassados com pulsões evolutivas???
Se eu pudesse ser um deus, faria pessoas de música e orgasmo. Acho que por sermos tão carentes de qualidades que nós humanos acabamos por aceitar qualquer coisa que se pareça com uma. Esquecemos de transcender. No tubo de ensaio da alma, substancias entram e saem sem causar reação alguma.
Às vezes vou ao meu cemitério deixar cravos de defunto a uma menina bobona. Quando dou as costas, escuto baixinho ela rindo do meu medo. Sabe que lacrei minhas entradas e zomba de mim. Se parece tanto comigo, mas nunca sairia correndo sem chorar, como eu.
Quando volto pra casa e me vejo esperando com um sorriso, não sei se choro ou brigo. Na verdade, nem sei se finjo que dessa vez é diferente. Outra descida às sombras e eu venho com as mãos abanando. Só consigo visitar cemitérios.
Lá está minha mãe, a menina que vejo no mesmo balanço que ando usando há uns duzentos anos. Quando eu nasci, as coisas tinham até um cheiro diferente. Agora tudo é uma tentativa desengonçada de reviver o passado.
Sinto essa vida pesada! Não tanto sobre meus ombros. Tenho privilégios como um tigre raro que foi aprisionado pra fugir da extinção. A me sentir tão incapaz, não me atrevo. Mas há um medo que acimenta, uma densidade nebulosa, que dificulta a visão, uma distância sem ponte entre as pessoas, um padrão absurdo que ninguém segue, mas todos cobram.
Quando eu viro miúra, me domam, engaiolam e vendem minha pele. Se me faço tornado, me prevêem, fogem, têm medo. Se sou bicho manso, me exploram, me montam e desmontam. Se sou chuva leve, incomodo, agonio, afasto... Adoro quando posso chorar, mas qualquer olho que me vê é como guarda das minhas lágrimas...
Vejo no meu quarto, agora, muitos vestígios de tudo que eu gosto. Nada inteiro, só o sinal destas existências. São existências que montam meu pesadelo pessoal. Venero pesadelos! Fazem eu me sentir uma legítima temerária, com um medo “real” de algo “irreal”, ou vice e versa. Como a sensação que temos no balanço, um psêudomedo, que vai e vem.
E agora? A bobona esta aí, grande em proporções e não sabe levar à frente seu legado qualquer. Não sabe ainda fazer como os adultos: desejar menos. Controle, muito controle. Acomodar-se, acostumar-se, aceitar, mandar... Viver a vida juntando conveniências para viver a vida.
Ah! Coitada da menina, sentada em qualquer calçada. Esperando, quem sabe, amanhã aparecer com algo inesperado. Mas o amanhã é seu inimigo, assim como seu irmão univitelino, e o inesperado é voraz!
Às vezes a sensação de frio na barriga me é indispensável, por isso me jogo do precipício. Mas também, só me jogo por não saber o que há no fim dele.
Nanna Carolina
Nanna Carolina
domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Amores Brutos
Três histórias encontram-se numa colisão de automóvel num cruzamento da capital mexicana, num choque de acasos e destinos, e aqui desembarcam todas as conjecturas acerca desses mesmos acasos e destinos: é a realidade quem sempre pergunta, responde e exemplifica. Três personagens que apenas têm em comum os amores atribulados e a paixão pelos cães (que não passa de mero pano de fundo para enaltecer através dele os problemas sentimentais), envoltos num complexo argumento preocupado em ser o mais chocante possível na aspiração de nos mostrar, sem estereótipos, os campos sociais distintos balanceados entre as luzes da fama e da notoriedade e o submundo urbano. E mesmo diferentes no estatuto que lhes está rotulado, as personagens vivem, sofrem e choram os seus problemas de igual forma, como meros escravos das suas fatalidades.
Esta é a primeira parte de uma trilogia (que inclui “21 Gramas” e “Babel”) e que marca não só a estreia de Alejandro Iñàrritu nas longas-metragens como também o inicio da próspera colaboração entre Iñàrritu e Guilhermo Arriaga (e que iria terminar ainda durante a gravação de “Babel”), o responsável pelo brilhante roteiro que deu vida ao filme. Aqui começa também a constante referência de vários públicos ao estilo utilizado pelo director mexicano nos seus filmes, estilo esse característico de Quentin Tarantino: a narrativa fragmentada, não linear, e a utilização da violência como timbre das cenas fortes são marcas muito próprias do cinema de Tarantino, mas também não deixa de ser claro que estamos perante dois estilos bastante distintos na sua essência e nitidamente provenientes de escolas diferentes.
A violência presente não se remete a entreter ou a fascinar, os diálogos e as situações chocantes não são fragmentos perdidos ou supérfluos, são a resposta à pretensão do realizador em querer fazer um retrato social de uma capital violenta e multifacetada e apresentar nela personagens de elevada profundidade dramática e envoltas numa tensão quase sufocante. O elenco é soberbo, com especial destaque para Gael Garcia Bernal que adquire aqui o merecido reconhecimento internacional, a fotografia inquieta e a “câmara na mão” ajudam a criar um clima de gravidade que, juntamente com a montagem “um só objectivo”, não nos deixa ficar alheios ao sofrimento tão palpável e presente.
Drama realista, gritante, honesto e deveras perspicaz. Um ensaio de Humanidade que encontramos todos os dias na rua disfarçado de Casualidade.
Vencedor de 11 prémios Ariel, Prémio da Crítica em Cannes e nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
de http://cineclubeybitukatu.blogspot.com/2010/04/critica-amores-brutos-alejandro-g.html
Esta é a primeira parte de uma trilogia (que inclui “21 Gramas” e “Babel”) e que marca não só a estreia de Alejandro Iñàrritu nas longas-metragens como também o inicio da próspera colaboração entre Iñàrritu e Guilhermo Arriaga (e que iria terminar ainda durante a gravação de “Babel”), o responsável pelo brilhante roteiro que deu vida ao filme. Aqui começa também a constante referência de vários públicos ao estilo utilizado pelo director mexicano nos seus filmes, estilo esse característico de Quentin Tarantino: a narrativa fragmentada, não linear, e a utilização da violência como timbre das cenas fortes são marcas muito próprias do cinema de Tarantino, mas também não deixa de ser claro que estamos perante dois estilos bastante distintos na sua essência e nitidamente provenientes de escolas diferentes.
A violência presente não se remete a entreter ou a fascinar, os diálogos e as situações chocantes não são fragmentos perdidos ou supérfluos, são a resposta à pretensão do realizador em querer fazer um retrato social de uma capital violenta e multifacetada e apresentar nela personagens de elevada profundidade dramática e envoltas numa tensão quase sufocante. O elenco é soberbo, com especial destaque para Gael Garcia Bernal que adquire aqui o merecido reconhecimento internacional, a fotografia inquieta e a “câmara na mão” ajudam a criar um clima de gravidade que, juntamente com a montagem “um só objectivo”, não nos deixa ficar alheios ao sofrimento tão palpável e presente.
Drama realista, gritante, honesto e deveras perspicaz. Um ensaio de Humanidade que encontramos todos os dias na rua disfarçado de Casualidade.
Vencedor de 11 prémios Ariel, Prémio da Crítica em Cannes e nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
de http://cineclubeybitukatu.blogspot.com/2010/04/critica-amores-brutos-alejandro-g.html
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domingo, 8 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
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