quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mundo mudado...


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dieta digital


Tô quietinho...



Adrenalina é grátis!



Epilepsia's Dance



C'est L'amour


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Flor e a Náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas,
consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.




Carlos Drummond de Andrade

Execução em Praça Pública


12/04/2006


       Hoje tive aula de filosofia e senti um misto de aflição e alívio.
       Afinal, teremos chance de nos livrar da tal queda de Adão sendo tão perturbados?
       Minhas sensações presentes têm um gosto desagradável. Algo como perdas consecutivas de mim. Além destes malditos vícios e esta enorme aceitação para o que me fere. Parece-me uma névoa sã na densa mata destrutiva e louca. Tenho tanto medo das coisas que gosto, que me escondo no fundo do poço e as vejo passar, satisfeita e desesperada. E desta vez não é ensaio, o erro é em si.
       Não sei se tudo isso é causa ou conseqüência da enorme pressão que sinto. Sei que minha única válvula de escape tem sido a anestesia. E quanto mais guerras declaro aos meus espíritos obsessores, mais guerras perco. Daí sou uma escrava, vencida, vendida, escrota. Mas tenho algo tão puro que me dá pânico. Preciso macular-me por inteiro para que eu não sinta essa enorme vontade de ser o que perdi. Libido. Essa vontade nojenta de salvação faz com que eu me apóie nessa ajudinha mascarada, neste passatempo dos todo-bons. Prefiro me dar bem com meus erros, esconder meus gigantes e fugir do casulo novamente, mas tirem de mim esses olhos que nada entendem do que vêem, eu suplico!
       A vida me parece, às vezes, um órgão de prazer que, se não for devidamente estimulado atrofia. Para não precisar amputar minha vida, tenho apostado nos meus sonhos, para ter prazer. Não esses que temos acordados, pois a altura deles depende tanto dos outros, que nem sei se podemos chamar de sonhos... Mas o mundo onírico, onde os papéis que eu cumpro são assumidamente ilógicos e completamente verdadeiros. As pessoas podem ocupar seu devido lugar, ou seja, passageiros do barco furado em comum, e quando acordo, tenho muito mais significados para trabalhar do que em horas de conversa com muita gente. Acho que estou virando uma Eremita.   




Nanna Carolina